Entrevista com Luciana Urban - CBN Grandes Lagos

Samilo Lopes • 14 de março de 2026

No programa publicado em 14 de março de 2026, conversamos com Luciana Urban, especialista em cultura vitivinícola e fundadora da Das Weinhaus, sobre como a experiência internacional de 25 anos no mundo corporativo se transformou em um projeto de vida baseado em propósito, educação e vinho.

Entrevista Transcrita

Samilo Lopes: Antes de voltar ao Brasil, você passou 25 anos fora. Conta um pouco dessa trajetória.


Luciana Urban: Eu saí do Brasil muito jovem, com 22 anos. Ainda estava na faculdade quando comecei a trabalhar como estagiária na Mercedes-Benz do Brasil. Depois virei trainee.


Samilo Lopes: E aí começou a carreira internacional?


Luciana Urban: Sim. Eu sempre fui muito focada, e não demorou para me oferecerem um contrato internacional. Acabei indo morar na Alemanha e comecei a trabalhar em projetos globais.


Samilo Lopes: O que exatamente você fazia?


Luciana Urban: Eu trabalhava com desenvolvimento da rede de concessionários, implantação de sistemas e treinamento de equipes.


Samilo Lopes: Em quantos países você trabalhou?


Luciana Urban: Morei em seis países e trabalhei em projetos em 73 países.


Samilo Lopes: Isso deve trazer um aprendizado cultural enorme.


Luciana Urban: Sem dúvida. O contato com diferentes culturas amplia nossa capacidade de compreensão e de lidar com diferenças.


Samilo Lopes: Isso ajuda a desenvolver empatia também.


Luciana Urban: Muito. Quando convivemos com outras culturas, nos tornamos mais empáticos e resilientes. Também perdemos o medo do desconhecido.


Samilo Lopes: Vamos falar de vinho agora. Como um vinho pode representar uma cultura?


Luciana Urban: O vinho é cultura. Ele expressa uma região inteira — clima, solo, geografia, história e também o fator humano.

Samilo Lopes: Então cada vinho conta uma história?


Luciana Urban: Exatamente. Muitas vinícolas têm séculos de história. O vinho carrega décadas ou até séculos de tradição.



Samilo Lopes: Assim como acontece com os idiomas.


Luciana Urban: Perfeito. Quando você aprende um idioma, aprende também a forma de pensar de um povo. No vinho acontece algo parecido.


Samilo Lopes: Existe um termo correto para isso?


Luciana Urban: Cultura vitivinícola. Ela engloba tanto o cultivo da uva quanto o processo de vinificação.


Samilo Lopes: Como você leva tudo isso para dentro dos cursos da Wine House?


Luciana Urban: Cada vinho é uma obra de arte do enólogo. Nos cursos analisamos três aspectos principais: a uva, o estilo do vinho e a intenção do produtor.


Samilo Lopes: Pode dar um exemplo?


Luciana Urban: A uva Furmint, por exemplo, pode gerar dois estilos completamente diferentes. Um vinho branco seco ou um famoso vinho de sobremesa chamado Tokaji.


Samilo Lopes: Isso acontece por causa de um fungo específico, não é?


Luciana Urban: Exatamente. Um fungo chamado botrytis cinerea retira a água da uva e concentra o açúcar, criando vinhos doces e complexos.


Samilo Lopes: Isso me lembra um produtor de queijo da Serra da Canastra que contou algo parecido sobre fungos que mudaram o sabor do produto.


Luciana Urban: Isso acontece muito com alimentos artesanais. E no vinho existe ainda um fator muito importante: a memória olfativa.


Samilo Lopes: Como funciona isso?


Luciana Urban: O olfato tem o caminho mais curto até o cérebro. Por isso aromas despertam memórias e emoções muito rapidamente.


Samilo Lopes: Então quando alguém diz que sente cheiro de morango ou chocolate no vinho?


Luciana Urban: Não significa que colocaram morango no vinho. Esses aromas vêm naturalmente da uva e dos compostos químicos formados durante a fermentação.


Samilo Lopes: E a emoção influencia na percepção do sabor?


Luciana Urban: Muito. O bulbo olfativo fica próximo da região do cérebro que processa emoções. Por isso comida e vinho estão tão ligados às nossas memórias afetivas.


Samilo Lopes: Como são as aulas na escola?


Luciana Urban: Cada aula é uma viagem cultural. Se fazemos uma aula sobre vinhos italianos, por exemplo, degustamos rótulos emblemáticos e também vinhos artesanais de pequenas vinícolas.


Samilo Lopes: E vocês falam da cultura da região também?


Luciana Urban: Sim. Falamos da gastronomia, da história e das harmonizações típicas.


Samilo Lopes: O vinho se adapta à comida da região?


Luciana Urban: Sim. Ao longo das décadas, os vinhos foram sendo adaptados à culinária local. Por isso harmonizam tão bem com os pratos tradicionais.


Samilo Lopes: Para quem quiser conhecer a escola, como faz?


Luciana Urban: Estamos nas redes sociais e no site Das Weinhaus. No Instagram é só procurar por Das Weinhaus. Também temos agenda de cursos até agosto.


Samilo Lopes: Onde fica a escola?


Luciana Urban: Na Avenida Francisco Chagas Oliveira, número 403, em São José do Rio Preto.


Samilo Lopes: Horário de funcionamento?


Luciana Urban: Todos os dias a partir das 17h, com cursos e degustações. Durante o dia também temos horários alternativos.


Samilo Lopes: Muito obrigado pela conversa, Lu.


Luciana Urban: Eu que agradeço. Espero todos vocês na escola.


Samilo Lopes: Um grande abraço a todos e até semana que vem no Bora Falar de Marketing.


Conclusão editorial


A conversa com Luciana Urban mostra como trajetórias profissionais internacionais podem se transformar em novos projetos de vida baseados em propósito. Ao conectar cultura, memória sensorial e aprendizado, a especialista mostra que o vinho vai muito além da bebida: ele representa história, identidade e experiências humanas. No fim, seja no marketing, na gastronomia ou na educação, a mensagem permanece a mesma — compreender culturas diferentes amplia nossa visão de mundo.


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