Entrevista com Mario Welber - CBN Grandes Lagos

Samilo Lopes • 28 de fevereiro de 2026

No programa publicado em 28 de fevereiro de 2026, conversamos com Mário Welber, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São José do Rio Preto, sobre a internacionalização do município, fortalecimento do COMEX, ampliação da conectividade aérea e o uso de grandes eventos como estratégia de desenvolvimento econômico e integração regional.

Entrevista Transcrita

Samilo Lopes: Mário, muito obrigado por aceitar o convite. Manhã bonita em Rio Preto — e, ao mesmo tempo, um planeta mais tenso. O que acontece do outro lado do hemisfério afeta importações, exportações e a economia. Acabou aquele mundo em que as ações de um país eram isoladas.


Mário Welber: Hoje tudo é integrado, globalizado. O que o outro faz, me afeta.


Samilo Lopes: Para quem acompanha as notícias desde cedo, percebeu que o programa começou um pouco mais tarde por causa do noticiário. Vamos começar por esse ponto: como esse cenário mexe com balança comercial, importação, exportação — e até cultura?


Mário Welber: Samilo, a gente está segurando bem as pontas em São José do Rio Preto, indo na contramão. Não sou eu que digo: são os números. Em 2025, aumentamos nossas exportações e reduzimos o déficit no quesito importações. Rio Preto passou a ter uma relação com o mundo mais saudável e frequente do que em qualquer outro momento — e eu explico por quê.


Mário Welber: Em fevereiro de 2025, iniciamos um diálogo e implantamos o COMEX na secretaria, por determinação do prefeito Coronel Fábio. Antes, Rio Preto conversava muito “do muro para dentro”, com os empresários. A gente aperfeiçoou isso e criou uma ponte grande “do muro para fora”, para colocar Rio Preto na vitrine do mundo.


Mário Welber: E aí começamos o diálogo com os Estados Unidos. Estivemos em Gainesville (Flórida), referência em urbanismo, segurança pública e tecnologia: fomos beber da fonte para abrir janelas e trazer novas ideias e projetos. Também estamos conversando com Israel, China, Paraguai, Estônia, Bélgica — com foco em tecnologia. Esse diálogo virou permanente: há canais abertos de lá para cá e daqui para lá.


Mário Welber: Eu estive no Paraguai e nos Estados Unidos; e também recebemos autoridades desses países aqui. Já montamos uma agenda para 2026 que inclui comitiva de empresários. As ações estão acontecendo e os resultados já aparecem.


Samilo Lopes: E a conectividade aérea, Mário?


Mário Welber: O aeroporto recebeu, no ano passado, 926 mil pessoas em mais de 8 mil voos. A gente tinha perdido rotas e recuperou. Pegamos a “pastinha”, oficiamos as empresas, mostramos números, mostramos o IDH e provamos que elas teriam lucro aqui — sem nem precisar fazer pesquisa. Os voos vão e voltam lotados.


Mário Welber: Com isso, a GOL devolveu voo para Rio Preto, a própria LATAM… e eu vou anunciar em primeira mão: Rio Preto estará, muito em breve, conectada de novo a Brasília, com voo direto.


Samilo Lopes: Olha lá, hein!


Mário Welber: Vai ser Rio Preto–Brasília e Brasília–Rio Preto, para evitar aquelas conexões malucas. A secretaria vem trabalhando nessa esteira do desenvolvimento: foco claro, orientação do prefeito, e mesmo com equipe enxuta, entregando resultado.


Samilo Lopes: Você citou números de empresas também.


Mário Welber: Sim. Houve aumento no número de empresas — com grande parte de MEIs e também crescimento de médias e grandes. E, para dar um exemplo bem concreto para o seu público: negociamos com a Shopee, que já está construindo um grande centro de distribuição em São José do Rio Preto.


Samilo Lopes: Onde vai ser? Dá para revelar?


Mário Welber: Ainda não.


Samilo Lopes: Eu tentei, pessoal… tentei, mas não consegui.


Mário Welber: (risos) Já está em obra. Estive lá semanas atrás, pouco antes do Carnaval. As obras estão avançadas e devem gerar centenas de empregos. Além disso, estamos conversando com outras big techs — uma grande deve se instalar até o fim do ano —, parques aquáticos e indústrias. E sem esquecer do pequeno, Samilo.


Mário Welber: Quando eu olhei para dentro da estrutura, pensei: “Tem um Banco do Povo aqui. O que isso faz?” A gente precisa usar essas ferramentas para apoiar o empreendedor menor, porque ele sustenta uma parte enorme do dinamismo local.


Samilo Lopes: Você falou bastante disso no ano passado, no Rio Preto Tech Summit.


Mário Welber: Falei, sim.


Samilo Lopes: Pessoal, parêntese rápido: os ingressos do Rio Preto Tech Summit já estão à venda e estão saindo bem. Entra lá e garante o primeiro lote — porque depois esgota.


Mário Welber: E tem notícia boa: por determinação do prefeito, vamos conseguir triplicar o tamanho da feira.


Samilo Lopes: Conta pra gente.


Mário Welber: O Graneleiro estava abandonado. A gente conseguiu, a toque de caixa, iniciar reparos para viabilizar o uso. É um equipamento com capacidade para cerca de 5 mil pessoas. A ideia é o Tech Summit acontecer no Teatro Paulo Moura e também no Graneleiro. Isso amplia a capacidade e deve ser a maior edição da história.


Samilo Lopes: O evento cresce a cada ano — e tem expectativa alta de palestrantes. Em breve tudo deve ser divulgado oficialmente.


Samilo Lopes: Agora, conectando desenvolvimento e turismo: quando a gente fala das pequenas e microempresas, elas fornecem serviços e suporte para toda a movimentação pública do município — o que ajuda Rio Preto, ajuda Olímpia e a região metropolitana como um todo.


Mário Welber: Exatamente. E eu reafirmo o que já disse: não estamos em competição, estamos em integração. Rio Preto não pode se pensar como cidade ilhada.


Samilo Lopes: Não é “Rio Preto e acabou”.


Mário Welber: Não. Rio Preto é líder e capital de uma região metropolitana, com dezenas de municípios jogando juntos, integrados, em favor do desenvolvimento e do turismo.


Mário Welber: Quando alguém pergunta “vocês têm águas termais?”, nós temos em Ibirá. “Vocês têm grandes parques aquáticos, modernos e seguros?” Temos — como Thermas dos Laranjais e Hot Beach, em Olímpia. “Vocês têm natureza, rios, floresta?” Temos na região. E Rio Preto é o amálgama, o pilar que integra tudo isso.


Mário Welber: E isso se reflete em resultado: o PIB cresceu, qualidade de vida alta, e Rio Preto puxa essa composição que une desenvolvimento e turismo — gerando renda, emprego qualificado e crescimento estrutural.


Samilo Lopes: Vamos fazer uma pausa rápida. Na volta, eu quero dedicar o último bloco ao que vem pela frente.


Samilo Lopes: Estamos de volta. Mário, agora eu quero olhar para o “daqui pra frente”. O sarrafo subiu: fui a show essa semana e não espero nada menos do que isso por aqui.


Mário Welber: (brinca) Lá no Allianz Parque, né?


Samilo Lopes: Foi no Morumbi… (risos)


Mário Welber: (risos) Samilo, é interessante como a alternância de lideranças traz formas diferentes de ver o mundo. O Coronel Fábio Cândido tem uma pauta moderna de município. E é legal fazer parte do time porque a gente trabalha em consonância com uma Rio Preto pensada não para a próxima eleição, mas para a próxima geração. E isso inclui, necessariamente, a internacionalização.


Samilo Lopes: Até rimou.


Mário Welber: A internacionalização é necessária para uma cidade do porte de Rio Preto — demográfico, geográfico, econômico e turístico. Trazer Guns N’ Roses para cá é algo que, por muito tempo, parecia inimaginável. E isso é só a ponta do iceberg: nós seremos uma cidade de grandes eventos.


Mário Welber: No Carnaval, Rio Preto antes não movimentava quase nada economicamente. Agora tivemos um carnaval familiar, com grandes atrações, aberto à população. Isso mexe com hotelaria, economia, gastronomia, entretenimento — até o brechó da ponta. A cidade tem muitos brechós espalhados por regiões administrativas, e todo mundo sente a movimentação.


Mário Welber: E mesmo tendo sido decidido quase em cima da hora, os números foram fortes. Tivemos apenas um furto de celular no CarnaVirou, num evento para cerca de 150 mil pessoas. Enquanto outros eventos, ao mesmo tempo, registraram dezenas de furtos. Aqui não tivemos furto de veículo. Foi um show de segurança, logística e entretenimento, com crianças, idosos, famílias vendo grandes artistas.


Mário Welber: Agora vem o show do Guns N’ Roses — e, no segundo semestre, teremos mais dois grandes shows internacionais do mesmo porte. E para o ano que vem…


Samilo Lopes: Não provoca que eu faça a pergunta. (risos) Quem é?


Mário Welber: Eu não posso cravar, mas posso dizer com quem estamos conversando.


Samilo Lopes: Pode ser.


Mário Welber: Além do Guns N’ Roses — uma atração de impacto internacional —, estamos conversando com Coldplay, Pet Shop Boys, Bon Jovi, Bruno Mars, Maroon 5, David Guetta e outros grandes nomes. Se não for este ano, no ano que vem — mas certamente entram no cronograma, dentro do guarda-chuva da internacionalização do município.


Mário Welber: E isso também muda a cidade: em breve, o rio-pretense vai ver mais placas em inglês e espanhol, para dar esse ar de internacionalização que já deveria ter avançado antes.


Samilo Lopes: Espetacular. Só tem um detalhe: vamos ter que pôr placa em três idiomas… e ainda ensinar o pessoal a dar seta. (risos)


Mário Welber: (risos) Esse é o problema do Brasil, Samilo. Em todo lugar tem isso. Em Londres também não dão seta. É um problemão. Mas vamos que vamos.


Samilo Lopes: Mário, a gente tem uns dois minutos para encerrar. Dá mais um panorama do que vem por aí, também no desenvolvimento econômico, além do turismo.


Mário Welber: Perfeito. Quero mandar um abraço ao economista Rafael Mantovani, que está ouvindo. É amigo, conselheiro, mente atualizada… já ganhei dinheiro com conselho dele: “investe aqui, investe ali”.


Samilo Lopes: (risos) Já fica o convite, Rafael.


Mário Welber: Fica o convite. E, sobre o porvir: além dos eventos de grande impacto, há um compromisso do prefeito com um centro de eventos de verdade em Rio Preto. Hoje existe um espaço chamado centro de eventos, mas a acústica não foi feita para show: você tenta ouvir o artista e não consegue.


Samilo Lopes: Exatamente.


Mário Welber: Então deve haver uma PPP para reformar o Centro Regional de Eventos e também a Swift, um equipamento histórico e afetivo numa área que estava marginalizada.


Mário Welber: E aí teve aquela história: quando eu brinquei que ia pôr uma capivara lá… (risos) quase me mataram. “Você está louco!” — e eu: “vai dar certo”. Resultado: 60 mil pessoas.


Mário Welber: Ou seja, dizer que “Rio Preto não tem nada para fazer” não faz sentido. A gente acabou de listar um monte de coisa — e isso é só o começo. Estamos dentro de um plano integrado de turismo, com recursos de fora. Vamos fomentar esses equipamentos e também avançar em pontos como o observatório — o planetário também é turístico.


Mário Welber: E tem mais: o prefeito quer um parque urbano na região da floresta do noroeste paulista, um “mini Ibirapuera”, além de outras novidades vindo na esteira disso tudo.


Samilo Lopes: Pena que o tempo acabou. Fica o convite para você voltar — e também para o prefeito Coronel Fábio Cândido vir aqui, para um papo conjunto.


Mário Welber: Bora.


Samilo Lopes: Pessoal, esse foi o Bora Falar de Marketing deste sábado. Um grande abraço a todos e até semana que vem.


Samilo Lopes: Pessoal, esse foi o Bora Falar de Marketing deste sábado. Um grande abraço a todos e até semana que vem.


Conclusão editorial


A conversa com Mário Welber mostra uma estratégia pública que combina internacionalização, ambiente de negócios e turismo regional integrado. Ao citar COMEX, relações externas e conectividade aérea, o secretário posiciona Rio Preto como polo que conversa com o mundo e organiza uma agenda concreta para 2026. A aposta em grandes eventos aparece como motor econômico e simbólico — e se conecta a projetos estruturantes como PPPs e revitalização de equipamentos urbanos. No fechamento, fica a ideia de cidade-região: desenvolvimento não como disputa, mas como integração.

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