Entrevista com Carol Pascovicci - CBN Grandes Lagos

Samilo Lopes • 3 de fevereiro de 2026

Neste programa, publicado em 31 de janeiro de 2026, conversamos com Carol Pascovit sobre a história da CBN Grandes Lagos, sua formação no jornalismo, os bastidores da apuração de notícias, o papel social da imprensa, o combate às fake news e o legado profissional de seu pai, Deva Pascovicci.

Entrevista Transcrita

Samilo Lopes: Muito bom dia para você que nos acompanha pelos 90.9 FM, CBN, a rádio que toca notícias. Hoje é sábado, 31 de janeiro de 2026. Para mim, a sensação ainda é que é dia 62 de dezembro. Não acaba esse mês. 22 graus no centro de Rio Preto. E aí, Ronaldo, tudo bem? Sobreviveu à chuva de ontem à noite?


Carol Pascovicci: Quase… quase. Estou me escondendo para você não me ver sair.


Samilo Lopes: Hoje é o dia que o feitiço vira contra o feiticeiro. Hoje vocês vão escutar uma entrevista com a sucessora de Milton Jung nas manhãs da CBN, a rainha das notícias. Carol Pascovicci, muito bom dia, seja bem-vinda.


Carol Pascovicci: Muito bom dia, Samilo. Muito obrigada. Estou me sentindo em casa, mas só de mudar a cadeira eu já me sinto um pouco estranha. Sentar nessa cadeira aí treme.


Samilo Lopes: Eu até tirei o microfone de lugar, estou achando tudo meio esquisito. Não estou ouvindo a trilha de fundo.


Carol Pascovicci: Pois é. É assim: vida sem roteiro.


Samilo Lopes: A vida é sem roteiro. Perguntei o que eu ia te perguntar e você não quis saber.


Carol Pascovicci: Só surpresa, né?


Samilo Lopes: Só pergunta cabeluda, como é minha cabeça.


Carol Pascovicci: Só surpresa.


Samilo Lopes: Vamos juntos aqui até por volta das 9h30. Dá para acompanhar ao vivo no YouTube da CBN Grandes Lagos e depois fica gravado também no meu blog. Bora falar de marketing.


Carol Pascovicci: Bora falar de marketing.


Samilo Lopes: Mas vamos falar também da história da CBN. Você faz parte dessa história.


Carol Pascovicci: Uma parte dela.


Samilo Lopes: A história começou bem antes de você.


Carol Pascovicci: Bem antes.


Samilo Lopes: Quando começou essa história?


Carol Pascovicci: Se a gente falar da ideia, começou antes de eu nascer. Meu pai, Deva Pascovicci, sempre foi apaixonado por rádio. Desde criança ele teve contato com mesa de som e se encantou com aquele universo. Desde que eu me entendo por gente, ouço ele dizer: “Eu preciso montar uma rádio um dia na minha vida”.


Samilo Lopes: E ele começou em que cidade?


Carol Pascovicci: Ele nasceu em Engenheiro Balduíno, mas o primeiro contato com rádio foi em Monte Aprazível. Ele jogava futebol, era goleiro, fez uma defesa importante, ganhou um fardinho de refrigerante e foi conhecer a rádio. Foi ali que ele se encantou com aquele monte de botões.


Samilo Lopes: Começou na mesa.


Carol Pascovicci: Começou na mesa.


Samilo Lopes: E a vida como locutor começou quando?


Carol Pascovicci: Pelo que eu sei, ele começou como operador de mesa. Quando veio para Rio Preto, alguém percebeu o potencial da voz dele. Ele gravou uma vinheta e foi crescendo. Depois passou por Jales, Mato Grosso, vários lugares, até se consolidar como locutor esportivo.


Samilo Lopes: E ele não começou no esporte.


Carol Pascovicci: Não. Era rádio musical, fazia vinhetas, eventos. Em 1991, em Jales, teve um campeonato de basquete em Portland. Eles foram sem dinheiro, sem estrutura, sem falar inglês. Foi uma loucura, mas ali começou de fato a carreira esportiva dele.


Samilo Lopes: Depois veio Sportv, CBN São Paulo…


Carol Pascovicci: Isso. Ele virou um dos principais narradores da CBN São Paulo. Viajava muito e se incomodava quando, na estrada, chegava a um ponto em que não conseguia mais ouvir notícias. Esse incômodo reacendeu o sonho antigo.


Samilo Lopes: E vocês moravam em Sorocaba.


Carol Pascovicci: Sim. Desde 2005 ele falava em mudar para Rio Preto. Eu e minha mãe não queríamos. Eu era adolescente, tinha minhas amigas. Mas ele foi fazendo tudo em silêncio, preparando o terreno.


Samilo Lopes: Comendo pelas beiradas.


Carol Pascovicci: Exatamente.


Samilo Lopes: Até que a rádio saiu do papel.


Carol Pascovicci: Sim. Em 2014, a rádio entrou no ar no dia 11 de agosto. Um mês antes a gente soube que a mudança era real. Ele já tinha alugado apartamento e estava implantando tudo aos poucos.


Samilo Lopes: Você já pensava em ser jornalista nessa época?


Carol Pascovicci: Sempre. Nunca pensei em ser outra coisa. Meu pai me incentivava muito. Ele queria que eu fosse a primeira narradora mulher do Brasil. Eu cresci vivendo isso.


Samilo Lopes: Mas esporte nunca foi sua praia.


Carol Pascovicci: Nunca. Hoje acompanho porque a profissão exige, mas não sento para assistir futebol por prazer. Meu pai tentava, mas nunca vingou.


Samilo Lopes: Você entrou na rádio em que ano?


Carol Pascovicci: Em 2016, como estagiária. Foi o ano em que meu pai, Deva Pascovicci, faleceu. Eu fazia o básico: subia coluna, cortava áudio, levava bronca — como todo estagiário.


Samilo Lopes: E quando o chefe é o pai, pesa mais.


Carol Pascovicci: Pesa. Ele cobrava muito. Eu tinha 17 anos, não queria responsabilidade. Mas aprendi demais. Hoje sinto falta de ter alguém como ele para orientar.


Samilo Lopes: Isso aumenta o senso de responsabilidade.


Carol Pascovicci: Muito. Desenvolve autocrítica. Eu faço terapia até hoje por conta disso. E o mundo mudou muito. No começo dos anos 2000, fumava-se em sala de aula.


Samilo Lopes: Vamos falar dos bastidores da notícia. Como nasce uma pauta?


Carol Pascovicci: O dia começa muito antes de ligar o microfone. A gente vai ao plantão policial, conversa com fontes, acompanha boletins. Muita coisa surge nos bastidores, em conversas, no WhatsApp. Jornalista nunca descansa.


Samilo Lopes: E quando os dados se repetem, vira alerta.


Carol Pascovicci: Exatamente. Se vejo muitos casos parecidos, preciso investigar. Converso com delegados, especialistas, cruzo informações. É um sinal de que algo está acontecendo.


Samilo Lopes: E o papel social disso?


Carol Pascovicci: É enorme. A imprensa é ponte entre a população e o poder público. Já vi casos de pessoas conseguirem medicamento, resolverem problemas, porque a notícia foi ao ar.


Samilo Lopes: E as fake news?


Carol Pascovicci: Recebemos muitas. O conselho é simples: sigam veículos sérios. Hoje qualquer pessoa com celular acha que é jornalista, mas notícia exige checagem. Meu pai sempre dizia: se não confirmou, não publica.


Samilo Lopes: Estamos chegando ao fim.


Carol Pascovicci: Passou muito rápido.


Samilo Lopes: Carol, muito obrigado pela conversa.


Carol Pascovicci: Eu que agradeço. Me senti em casa.


Conclusão editorial


A entrevista com Carol Pascovicci reforça o papel essencial do jornalismo local como instrumento de cidadania. Entre memória, bastidores e ética profissional, a conversa evidencia que credibilidade se constrói diariamente, com apuração rigorosa, responsabilidade e compromisso com a verdade.

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