Entrevista com Walmir Orlandeli - CBN Grandes Lagos

Samilo Lopes • 17 de janeiro de 2026

Neste programa, publicado em 17 de janeiro de 2026, conversamos com Walmir Orlandeli sobre sua trajetória nos quadrinhos, a releitura do personagem Chico Bento, o processo criativo como ferramenta de reflexão, a experiência em eventos como a CCXP e o reconhecimento do Prêmio Jabuti.

Entrevista Transcrita


Samilo Lopes: Bom dia. Hoje é sábado, 17 de janeiro de 2026. Estamos com cerca de 24 graus no centro de Rio Preto, aquela previsão clássica: mínima de poucos, máxima de muitos e chuvas em pontos isolados.


Carlos Albertini: Pode ser que sim, pode ser que não.


Samilo Lopes: Exatamente. E hoje a piada não para. Quem estiver acompanhando pelo YouTube vai ver rádio com imagens. Temos dois carecas na tela, então não dá nem pra falar “o carequinha”.


Samilo Lopes: Walmir Orlandeli, muito bom dia, seja bem-vindo.


Walmir Orlandeli: Bom dia, muito obrigado pelo convite. É sempre um prazer vir conversar sobre história, quadrinhos, narrativa… e kung fu também.


Samilo Lopes: Antes de tudo, se apresenta para o nosso ouvinte.


Walmir Orlandeli: Eu sou o Walmir Orlandeli, quadrinista, de São José do Rio Preto. Comecei fazendo tiras e charges para jornal e, desde 2009, trabalho principalmente com graphic novels. Faço parte do selo Graphic MSP, que reinterpreta personagens do Maurício de Souza.


Tive a felicidade de fazer três livros do Chico Bento: Chico Bento – Arvorada, Chico Bento – Verdade e Chico Bento – Viola. Além disso, tenho outros livros como A Coisa, Os Olhos de Bartô e Mais Uma História para o Velho Smith, que ganhou o Prêmio Jabuti.


Samilo Lopes: Como é a responsabilidade de pegar um personagem como o Chico Bento?


Walmir Orlandeli: É um convite pesado. O Maurício de Souza é um holofote enorme. Mas o Graphic MSP dá uma liberdade absurda. A ideia é fazer uma história que tenha o Maurício e tenha o Orlandeli. Essa liberdade é um presente e um fardo. Mas foi muito simbólico chamar alguém do interior para fazer o Chico Bento. Eu carrego muito da cultura caipira da minha infância, e consegui colocar isso nas histórias.


Samilo Lopes: O traço do Graphic MSP é completamente diferente do tradicional.


Walmir Orlandeli: Sim. O Maurício sempre trabalhou com um padrão muito definido. No Graphic MSP, o diferencial é perceber claramente o estilo de cada artista. A pessoa precisa olhar e pensar: “É o Chico Bento, mas é diferente”. Esse equilíbrio é o mais legal.


Samilo Lopes: Vamos falar do Mundo de Yang.


Walmir Orlandeli: O Yang já está no quarto livro, lançado em dezembro. É um personagem que mistura cultura oriental, filosofia e humor. Ele é marrento, ranzinza, mas muito humano. Os personagens que ele encontra representam emoções: medo, angústia, conflitos internos. Pratico kung fu há mais de 30 anos, isso muda a forma como você vê o mundo. Não tenho pretensão de explicar a cultura oriental, mas ela influencia meu olhar.


Samilo Lopes: Quanto do autor existe nos personagens?


Walmir Orlandeli: Muito. A gente usa o personagem como máscara. Não sou eu, é o Yang. Não sou eu, é o Chico Bento. Mas o autor sempre está ali. Cada obra minha foi escrita em um momento em que eu precisava falar sobre aquele assunto.


Samilo Lopes: Como nasce uma história?


Walmir Orlandeli: Primeiro é sobre o que eu quero falar. Mais Uma História para o Velho Smith nasceu da experiência com o avô da minha esposa, que tinha demência. Ele não lembrava mais de mim, mas sabia que me conhecia. A primeira frase do livro é: “Aquilo que se perde no mar não está perdido, está no mar”. O mar vira metáfora da memória. O personagem vem depois. Ele é ferramenta.


Samilo Lopes: Você fala muito sobre controle e acaso.


Walmir Orlandeli: A gente acha que controla tudo, mas não controla. O acaso é imprevisível. O que dá pra tentar controlar é como você reage ao que acontece. Tenho uma série chamada Lusco-Fusco, em que um personagem descobre que existe um lugar que não está no mapa. Às vezes isso não é ruim. Como dizia Rubem Alves: “Tudo o que sou hoje é porque tudo o que planejei deu errado”.


Samilo Lopes: Como é a experiência da CCXP?


Walmir Orlandeli: Participei de todas as edições. É um ponto de encontro com o público. Você vende, conversa, troca ideia. Além da CCXP, tem o FIQ em Belo Horizonte, a Bienal de Quadrinhos de Curitiba e agora também a Bienal do Livro.


Os eventos ajudam a tornar a produção sustentável. Não basta fazer, o livro precisa chegar ao público.


Samilo Lopes: E o Jabuti?


Walmir Orlandeli: É o principal prêmio literário do país. Ganhei na categoria Histórias em Quadrinhos com Mais Uma História para o Velho Smith. Já tinha sido finalista outras vezes. Ganhar foi uma alegria absurda.


Samilo Lopes: Vai ter outro programa. Se você não voltar, eu mando te buscar.


Walmir Orlandeli: Foi um prazer enorme. Obrigado pelo convite.


Samilo Lopes: Pessoal, esse foi Walmir Orlandeli. Conheçam o trabalho dele em lojaorlandelli.com.br. Um grande abraço e ótimo fim de semana.


Conclusão editorial


A conversa com Walmir Orlandeli mostra como os quadrinhos podem ser ferramentas profundas de reflexão sobre memória, identidade e existência. Entre cultura caipira, filosofia oriental e narrativa gráfica, o autor constrói histórias que dialogam diretamente com o leitor — provando que contar boas histórias continua sendo uma das formas mais potentes de comunicação.


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