Entrevista com Milton Flávio - CBN Grandes Lagos

SAMILO LOPES • 6 de novembro de 2025

Neste programa, publicado em 1º de novembro de 2025, conversamos com Milton Flávio, fundador e editor da revista ALA VIP, que há mais de duas décadas é referência no colunismo social e na cobertura da vida cultural de São José do Rio Preto e região. O bate-papo destacou sua trajetória à frente da publicação, os desafios do jornalismo impresso na era digital e a importância de manter a autenticidade e o olhar humano na comunicação.

Entrevista Transcrita

Samilo Lopes (Entrevistador): Muito bom dia para você que nos acompanha pelos 90.9 FM, CBN, a rádio que toca notícia. Sabadão e mudamos de mês, né? 1º de novembro de 2025, começando o último bimestre. Então é Natal! (risos) Carlos Albertini, qual seria a cor desse mês?


Samilo: Já fica o recado para que todos os homens se cuidem, né? A importância. Nós, que somos homens, nós que não gostamos de médico, de cuidar da saúde… mas este mês será necessário — todos os meses são, na verdade. É importante lembrar, preparar-se. A gente precisa viver mais. E, se tem uma coisa que faz com que os homens morram antes, é não cuidar da saúde como deveriam. Eu me incluo nessa turma que precisa cuidar mais, ir ao médico, fazer exames preventivos, todos os cuidados necessários.


Gente, hoje um programa… eu vou dizer que não só especial, como nostálgico, porque o Milton Flávio tá de volta. Esteve aqui semana passada e eu o encontrei — falei: “Não, você precisa voltar aqui; a gente vai falar de marketing, porque durante muitos anos minha trajetória em Rio Preto se confundiu com a do Milton, da ALA VIP. A gente tem que contar um pouco de história pro pessoal”. Milton, obrigado por chegar a tempo…


Milton Flávio (Convidado): Cheguei quase aos 45 do segundo tempo, mas 45 do segundo tempo ainda é jogo! (risos) Obrigado pelo convite e bora falar de marketing. Fiquei muito feliz. É muito bom estar aqui. Eu sempre falo que sou super fã daqui e seu fã também. Gosto da proposta do rádio. Para mim é um prazer imenso.


Samilo: Eu que agradeço. Obrigado. Também sou seu fã. Pessoal, acreditem: existem relatos, existem fatos, Carlos Albertini, de que eu saí na ALA VIP e eu tinha cabelo ainda!


Milton: É verdade, gente! (risos)


Samilo: A ALA VIP ali… o quê? 2011 por aí?


Milton: 2012, eu acho.


Samilo: A gente pode lançar uma promoção: quem tiver essa revista, essa relíquia “Samilo Lopes de cabelo”, e apresentar aqui, vamos pensar num prêmio especial do programa. (risos) E eu tinha 20 kg a menos também!


Carlos: A gente vai mudando…


Milton: Você tá ótimo, Samilo. Vamos fazer novas fotos, aparecer na revista de novo com esse cabeção assim… será que dá? (risos)


Samilo: Meu Deus, olha que careca. Hoje não tem isso, não… (risos) Milton, quantos anos de ALA VIP?


Milton: São 25 anos de ALA VIP. E eu tô na área há mais de 30. Comecei num jornal de Catanduva, no departamento comercial — foi lá que tudo começou. Depois fui para Fernandópolis; foi em Fernandópolis que lancei a revista. Ela foi ganhando abrangência regional e, em 2000, mudamos a sede para Rio Preto. Virada de ano, de milênio, de século… virada de tudo. Foi muito bom.


Samilo: Você sabe quantas edições já foram?


Milton: A ALA VIP tem 235 edições, e mais umas 12 temáticas que fizemos — sobre temas específicos. Fizemos ALA VIP Kids, por exemplo. Alguns projetos deram certo, outros não. E neste mês estamos lançando a ALA VIP Homem, que tá um sucesso: são 100 homens da nossa região. A gente conta a história deles nessa edição. Tá sendo muito bom. Até por isso quase perdi a hora hoje — fico ansioso. Gosto de fazer tudo bonito; analiso tudo de novo, o que já fiz há um mês. Cada vez que a revista vai sair, eu fico ansioso. É lidar com felicidade e, ao mesmo tempo, com o medo de errar. É difícil agradar todo mundo. Nossa proposta é agradar o nosso público. Acho que estamos conseguindo — estamos aí há 25 anos — mas sempre dá aquele frio na barriga.


Samilo: Eu não me lembro quem disse, mas gosto dessa ideia: o frio na barriga é o nível de importância que aquilo tem. Se a gente continua sentindo frio na barriga, é porque aquilo importa muito. Se não sair como a gente espera, vem a frustração. Então é muito importante.


Milton: E cada edição tem uma personalidade. As pessoas falam: “Ah, é aquela da médica tal…”, “É a revista que saiu o médico tal…”, aquela pessoa na capa. Eu crio uma personalidade para cada revista. Quando fiz a primeira, eu tava tão empolgado e com tanto amor que, no dia em que ela saiu, eu dormi com a revista. Tenho carinho por tudo que faço. Às vezes vejo alguém pegando uma revista e falando “ah, coloca no lixo”… Eu penso: qualquer revista é feita com muito carinho e cuidado. Você vê uma página, vira rapidinho, mas não imagina o trabalho por trás: a escolha da foto, como fazer essa foto, o texto. Hoje se usa muito inteligência artificial, mas o texto tem que ter a personalidade da pessoa. A IA não traduz tudo o que a pessoa é; rotula, cria coisas, e muitas vezes não tem nada a ver. Nossa proposta continua sendo mostrar a realidade.


Samilo: E o que permaneceu desde a fundação?


Milton: Tem coisas que acho que não existem mais e de repente voltam. Casamentos, por exemplo: antigamente todo mundo queria colocar na ALA VIP — capa, 12 páginas… Aí passou um período de baixa e, de repente, voltou com tudo. Noiva fala “meu sonho é colocar na ALA VIP, além de casar”. Outras coisas não cabem mais na revista: por exemplo, receitas. Antes tinha; hoje, na internet, você acha mil. Então qual é nossa missão? Colocar o que a nossa sociedade tem de mais genuíno, o que é real aqui e com o que a pessoa se identifica. É o que ficou: a essência, a verdade.


Samilo: E o colunismo social?


Milton: Em Rio Preto é muito forte e continua sendo. Acho que tem que surgir uma nova geração de colunistas, principalmente jovens, com nova visão. Hoje cada um aparece por si — blogueiros e influenciadores — mas falta aquele papel de registrar o evento, as pessoas, dizer quem elas são. Na internet, muitas vezes é a expressão de um sonho: só se posta o lindo e maravilhoso. A realidade é ali na calçada. Nosso papel é mostrar a realidade, sem substituir o jornalismo — é complementar.


Samilo: No marketing vejo muito isso: o valor de ser citado por um terceiro, em vez de falar de si. A citação traz veracidade e ajuda a formar opinião — diferente da comunicação direta com a própria audiência.


Milton: Tenho relatos de médicos: “Sair na revista dá impacto, mas o maior impacto é postar que saí na revista”. A internet não matou o impresso; auxilia. Se você se posiciona, cria valor como marca e permanece com credibilidade, você fica. Pode ser que o impresso um dia não exista, mas a marca fica. O desejo de estar lá, a importância social por registrar décadas de mudanças — acho que isso aconteceu com a ALA VIP. No começo deu medo — ainda dá às vezes — porque as coisas vão e voltam. Vivemos um momento plural na internet, super bacana pelo lado bom, mas ela também desorganiza a cabeça. A gente não dorme, a qualidade do sono é péssima. Lutamos tanto por tecnologia e hoje ela pode nos machucar: jogam tanta informação que muita gente vive à base de remédios, calmantes. Falta tempo.


Samilo: Total.


Milton: Então vejo um retorno a comportamentos: o silêncio, a revista, o jornal. Outro dia vi propaganda de assinatura do Estadão e pensei: “Vou assinar de novo”. Foram anos recebendo. Tenho vontade de ter de volta aquele tempo. E na internet há muita inverdade. Com IA imitando pessoas, isso é gravíssimo — podem inventar coisas com a nossa voz, nossa imagem. A gente volta ao toque: abraçar, estar perto, ler o livro — que tinha virado enfeite na decoração. Agora volta a ser leitura. Com a revista acontece também. Fico feliz.


Samilo: Livro não é objeto decorativo. Pode até ser, mas não como função principal. Muita gente usa assim — pega livros do Monteiro Lobato, joga um vaso em cima, e ninguém nem sabe o que é aquele livro.


Milton: Dá uma dor… (risos) Imagina o autor.


Samilo: E marketing muda muito, né? Antigamente todo mundo queria estar na revista por anúncio, mas muita gente resistia — lembro que a classe médica dizia: “Ai, não dá, Milton. Colocar eu mesmo falando de mim fica estranho; não consigo me ver”. Nem dermatologistas apareciam. Hoje a mudança é tão grande que você passa na JK e só vê médicos. Antes eram marcas de consumo; hoje eles viraram produto — o rosto na fachada. Muda muito. A gente tem que acompanhar essa mudança comportamental. Às vezes assusta — “para onde vamos?” —, mas é preciso se posicionar e aceitar as mudanças.


Samilo: Vamos dar uma pausa pro break… (pausa editorial removida) Voltamos! Seguimos neste sábado, 1º de novembro de 2025, último bimestre do ano. A previsão “rio-pretense”: 23 graus ao nascer do dia, e aquela dica do Carlos de sempre — “chuvas em pontos isolados”: mínima de 15, máxima de 50. (risos) Milton, estávamos falando desse mix na história dos 25 anos da ALA VIP e das adequações. Te pergunto: qual desafio mais marcante que você jamais esquece?


Milton: O principal foi quando o digital influenciou demais e muita gente decretou: “o impresso acabou”. Aconteceu com várias coisas — até com rádio, o que sempre achei um absurdo — e tudo está voltando. Dói ouvir alguém falar com prazer: “tua área está acabando”. Depois aprendi a lidar. O segundo grande desafio foi a pandemia. Trabalho com notícias boas, agradáveis e, naquele momento, o público não queria absorver. Parecia que só queria sofrer. Se eu falava, por exemplo, “como cuidar da pele”, respondiam: “notícia fútil enquanto morre tanta gente”. Como imprensa, foi complicadíssimo.


Samilo: Esses momentos são delicados. E eu convido o ouvinte a observar a cultura dos “tecnoassinos” — gente que, a cada novidade, decreta que o anterior vai morrer. Tem influenciador dizendo “o Canva morreu”, “o ChatGPT morreu”… Ano passado, a cada lançamento de IA, diziam que a anterior morria. Já “mataram” rádio, cinema, TV, vinil, revista… e não morreu. Nosso comportamento social não é 8 ou 80. Exemplo: a Panini com álbuns de figurinha e gibis; a Abril relançando a Capricho impressa. Acho espetacular. Por quê? Porque é cultura. Minha dica de marketing para o fim do ano: mande uma carta à mão para o seu cliente, agradecendo. O impacto é enorme. Não se recebe mais. A questão não é fazer o mais novo, é fazer o que te diferencia, o que te faz humano, com consistência e personalidade.


Milton: Você pode ver: em vez de mandar mensagem, apareça. Diga “estou aqui”, olhe nos olhos. É bom e faz falta. Precisamos nos nutrir disso. Não nascemos para ser máquina, e máquina alguma vai substituir emoções — o medo de estar aqui, por exemplo, a ansiedade… Ela molda, tem função. Só não dá para ser a ansiedade explosiva que o digital joga o tempo todo. Ao mesmo tempo, eu amo tecnologia e estou cada vez mais digital para mostrar o nosso trabalho — mas buscando paz.


Carlos: Olha a convivência: o Samilo é o rei do digital; o Milton, do impresso; e estamos juntos no rádio. Antes, rádio musical precisava de uma discoteca inteira com vinis e CDs; hoje um HD resolve. E seguimos aqui.


Milton: Nada substitui o rádio: memória afetiva, companhia, a verdade do ao vivo. As mídias não morrem — se readequam. Essa geração está um pouco perdida no que quer, mas acredito que as próprias dificuldades vão nos levar de volta a valores.


Samilo: Nossa geração também passou por isso. Fiquei de castigo por não fazer aula de datilografia. (risos)


Milton: Eu fiz! E morro de saudade do barulho da máquina. Peguei tudo: câmera com filme, revelar correndo para ver se a foto saiu, escanear. Falo isso com prazer. Me sinto privilegiado por pegar a mudança.


Samilo: Estamos caminhando para o final. Conta, por favor: planos da ALA VIP para 2026?


Milton: Vou conforme a maré. Às vezes barco, às vezes navio — e às vezes sinto que estou num navio só eu no timão. (risos) O interessante é que todo mar leva a um continente. Fico esperando novos continentes; crio na hora e sonho com uma sociedade mais aberta às mudanças, mas sem rupturas bruscas.


Samilo: Muito bacana. Pessoal, este foi o Bora Falar de Marketing deste sábado, recebendo Milton Flávio, da revista ALA VIP. Milton, mais uma vez, muito obrigado por aceitar o convite.


Milton: Eu que agradeço. Para mim é uma honra. Quero estar aqui sempre. Este microfone é um sonho.


Samilo: Pessoal, bom fim de semana. Até sexta e sábado que vem. Grande abraço, fiquem com Deus e até lá!

Conclusão editorial: A conversa com Milton Flávio deixa evidente que tradição e inovação não são opostos, mas complementares. Ao longo de 25 anos à frente da ALA VIP, ele construiu uma trajetória que une sensibilidade jornalística, visão empreendedora e respeito pela história local. Em tempos de inteligência artificial e consumo acelerado de informação, sua fala reforça a importância do toque humano, da credibilidade e do conteúdo feito com propósito. A entrevista é um lembrete de que o futuro da comunicação não está apenas nas telas, mas na capacidade de contar histórias reais e manter vivas as conexões entre pessoas, marcas e comunidade.

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