Entrevista com Vanessa Pires - CBN Grandes Lagos

SAMILO LOPES • 25 de outubro de 2025

Neste programa, publicado em 25 de outubro de 2025, conversamos com Vanessa Pires, CEO da Brada Social e especialista em impacto positivo, sobre o papel das leis de incentivo na promoção do desenvolvimento econômico e social, o engajamento das marcas em causas de propósito, e como empresas e empreendedores podem construir legados sustentáveis unindo estratégia, transparência e transformação coletiva.

Entrevista Transcrita

Samilo Lopes: Hoje vamos falar sobre marketing ligado ao terceiro setor — ou talvez nem devêssemos mais chamar assim. Vamos falar sobre impacto social e o envolvimento das marcas nesse processo. Vanessa Pires, da Brada Social, muito obrigado por estar aqui. Começando: quem é a Vanessa e o que é a Brada Social?


Vanessa Pires: Obrigada pelo convite, Samilo. É um prazer estar aqui para falar de um tema tão importante. Eu sou a Vanessa Pires, CEO da Brada Social, e atuo há mais de 15 anos na área de impacto positivo. Vim do subúrbio do Rio de Janeiro, estudei em escola pública e desde cedo percebi muitos gaps sociais. Isso me motivou a criar um grupo sólido que já impactou mais de 100 mil pessoas no Brasil, conectando investimento e transformação social.


Samilo Lopes: Que trajetória inspiradora! Como essa ideia ganhou forma até se tornar a Brada Social?


Vanessa Pires: Tudo começou quando eu tinha 19 anos e fiz um estágio na Secretaria de Educação. Lá conheci uma consultora do Banco Mundial que me apresentou o universo dos investimentos sociais e das políticas públicas. Eu percebi que o problema do Brasil não era só a falta de recursos, mas a falta de integração entre governo, iniciativa privada e sociedade civil. Foi aí que surgiu a ideia de criar um negócio que fizesse essa ponte — conectando investidores, empresas e projetos sociais de forma eficiente e transparente.


Samilo Lopes: Você costuma dizer que as leis de incentivo foram o primeiro instrumento para aproximar o setor privado das causas sociais. Como isso funciona na prática?


Vanessa Pires: Exatamente. As leis de incentivo permitem que empresas invistam em cultura, esporte, saúde ou educação, usando parte do imposto que já iriam pagar ao governo. Muita gente acha que o governo está "abrindo mão" de receita, mas na verdade, a cada real destinado a projetos incentivados, cerca de cinco retornam para a economia. É um ciclo virtuoso: o governo fomenta o desenvolvimento, as empresas fortalecem sua imagem e propósito, e a sociedade ganha em oportunidades e inclusão.


Samilo Lopes: E como as empresas brasileiras têm se engajado nesse movimento nos últimos anos?


Vanessa Pires: Felizmente, cada vez mais. O termo “terceiro setor” já não dá conta da complexidade dessas relações. Hoje falamos em organizações de impacto positivo. O governo ampliou as áreas contempladas — além de cultura e esporte, agora temos saúde, inovação e meio ambiente, que entrou em vigor neste ano. Só a área de cultura cresceu 30% em investimentos no primeiro semestre de 2025. Isso mostra que as empresas estão percebendo o valor estratégico desse engajamento.


Samilo Lopes: E quais são os principais benefícios para as empresas que decidem participar desse tipo de projeto?


Vanessa Pires: São muitos. Além do retorno fiscal, há ganhos de visibilidade, fortalecimento de marca e geração de valor social. As empresas podem expor suas marcas nos projetos, ter relatórios de impacto e até usufruir de produtos gerados — como ingressos de eventos ou produções culturais. É uma forma de associar a marca a um propósito real, com retorno financeiro e social. Em outras palavras: todos ganham — governo, sociedade e empresa.


Samilo Lopes: Interessante. E como é o processo para uma empresa ou pessoa física investir por meio das leis de incentivo?


Vanessa Pires: É mais simples do que parece. Primeiro, o investimento é feito e depois vem o abatimento fiscal, conforme o tipo de imposto — pode ser IR, ICMS ou ISS, dependendo do caso. O investidor aplica os recursos diretamente no projeto aprovado e depois comprova essa aplicação para receber o benefício. Pessoas físicas também podem participar — quase ninguém sabe disso —, mas podem destinar parte do imposto devido a iniciativas sociais, culturais e educacionais. É um gesto simples que muda vidas.


Samilo Lopes: E quem quer propor um projeto? Quais são os cuidados e exigências?


Vanessa Pires: Todo projeto precisa de habilitação prévia no órgão responsável — Ministério da Cultura, Secretaria de Esporte, Saúde, Meio Ambiente, etc. É preciso comprovar atuação real no segmento e apresentar documentação jurídica e contábil. O governo analisa tanto a documentação quanto a capacidade técnica da instituição. Quando aprovado, o projeto ganha autorização para captar recursos e deve prestar contas de cada etapa. A transparência é essencial — tanto para a instituição quanto para o investidor e o governo.


Samilo Lopes: E onde entra a Brada Social nesse processo todo?


Vanessa Pires: A Brada atua nos dois lados: o do empreendedor social e o do investidor. Ajudamos empresas a entenderem onde podem investir, quanto podem abater e como planejar isso de forma estratégica. Do outro lado, apoiamos os proponentes — ajudamos a habilitar projetos, monitorar resultados e apresentar indicadores de impacto. Costumo brincar que a Brada é tipo um “Tinder” dos projetos sociais, mas que dá certo — porque a gente faz o casamento e acompanha depois. Nosso trabalho é garantir que o investimento vire impacto real e mensurável.


Samilo Lopes: (risos) Muito bom! E para quem quiser conhecer mais ou participar, como entrar em contato?


Vanessa Pires: É só acessar o site brada.social ou seguir @brada.social nas redes. Lá é possível cadastrar projetos, empresas e receber oportunidades de investimento social. É tudo gratuito. Nosso objetivo é aproximar quem quer transformar com quem pode investir para transformar.


Samilo Lopes: Vanessa, foi uma conversa riquíssima. Obrigado pela presença e por mostrar como o marketing e o impacto social podem caminhar juntos.


Vanessa Pires: Eu que agradeço. Foi um prazer e espero voltar mais vezes. Obrigada mesmo.

Conclusão Editorial:
A entrevista com Vanessa Pires revela um novo olhar sobre o marketing social e o papel das empresas na transformação coletiva. Com linguagem clara e prática, ela mostra que propósito e lucro não são opostos — e que as leis de incentivo podem ser ferramentas poderosas de desenvolvimento. A Brada Social se destaca como ponte entre investimento e impacto, mostrando que construir legados é também uma estratégia de marca.

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