Entrevista com Equipe Hawks - CBN Grandes Lagos

SAMILO LOPES • 26 de agosto de 2025

Neste programa, publicado em 16 de agosto de 2025, conversamos com Ana Elisa, Ana Júlia e Isabela, integrantes da Equipe Hawks, a primeira equipe de First Robotics Competition (FRC) de São José do Rio Preto, sobre o surgimento do time e sua atuação na robótica educacional, a divisão entre áreas técnicas e de marketing, a criação do projeto Listener — um robô programável por voz voltado à inclusão de crianças com deficiência e no espectro autista —, a construção da identidade da marca Hawks, o uso consciente da tecnologia e da inteligência artificial, a rotina de estudos entre SESI e SENAI e o compromisso com a formação de legado, continuidade e protagonismo jovem por meio da cultura STEAM.

Entrevista transcrita

Samilo Lopes: Hoje eu recebo três convidadas que conheci na campanha do Rio Preto Tech Summit: Ana Elisa, Ana Júlia e Isabela, da equipe Hawks. Meninas, se apresentem para quem está nos ouvindo.


Ana Elisa: Bom dia! Eu sou a Ana Elisa, tenho 17 anos. Estudo no SESI e faço o técnico em Eletroeletrônica no SENAI.


Ana Júlia: Eu sou a Ana Júlia, também tenho 17 anos, estou no 3º ano do ensino médio no SESI e curso Desenvolvimento de Sistemas no SENAI.


Isabela: Eu sou a Isabela, tenho 17 anos, também estudo no SESI e faço Desenvolvimento de Sistemas no SENAI.


Samilo Lopes: Que legal! E como surgiu a Equipe Hawks?


Ana Elisa: A equipe nasceu em 2023, quando fomos formadas. Somos a primeira equipe de FRC (First Robotics Competition) de São José do Rio Preto, então era tudo novo. Começamos com 16 integrantes e hoje somos 36. Dividimos a equipe em duas partes: a técnica, que cuida da construção do robô, e a de marketing e projetos sociais, que é a nossa. Nosso maior objetivo é levar a cultura STEAM para o maior número de pessoas.


Samilo Lopes: E o que o robô de vocês faz nas competições?


Ana Júlia: Todo ano, no primeiro sábado de janeiro, a FRC lança um novo desafio. A arena é mais ou menos do tamanho de uma quadra de vôlei, e nela atuam duas alianças com três robôs cada — seis no total. A partida dura dois minutos e meio, sendo quinze segundos de modo autônomo e o restante controlado pelos operadores. Em 2025, o desafio era colocar “corais”, que são canos de PVC, em suportes dentro de uma estrutura chamada Recife. As equipes vão somando pontos e subindo no ranking. As oito primeiras depois formam alianças para as partidas finais.


Samilo Lopes: Uau, isso é incrível. E como surgiu o Listener, esse projeto de vocês que virou destaque?


Isabela: O Listener nasceu de uma história pessoal. O nosso mentor perdeu a filha, que teria dificuldades motoras. Ele se perguntava como ensinaria programação para ela, e trouxe essa ideia para a equipe. A partir disso, construímos um robô programável por comandos de voz e, depois, adicionamos também a opção de blocos. Criamos um tapete onde a criança programa o Listener para ir, por exemplo, do ponto A ao D, desenvolvendo o raciocínio lógico e aprendendo de forma lúdica. O projeto inclui crianças com e sem deficiência motora e também crianças no espectro autista, ajudando a estimular a fala e a coordenação.


Samilo Lopes: Que lindo isso. Um robô como ponto de acolhimento e aprendizado.


Ana Elisa: Exatamente. A gente sempre quis que a tecnologia fosse usada para aproximar as pessoas, não para afastar.


Samilo Lopes: E o nome Hawks? Como ele surgiu? E as cores, o mascote, a identidade visual?


Ana Júlia: A gente começou do zero. Tivemos a ajuda de quatro mentores e nos inspiramos na equipe Rio Preto Robotic Team, que competia na FLL (First Lego League). As faixas que usamos no nosso símbolo vêm de lá, como uma homenagem. Queríamos algo que tivesse força, mas que também fosse lúdico, fácil de se conectar com as crianças. Olhamos a bandeira de São José do Rio Preto, que tem as cores vermelho, branco e preto e um gavião-carijó. Daí veio o nome Hawks, e tudo passou a girar em torno dele: HKS Box, Manual HKS, HKS Mask...


Isabela: Testamos várias ideias: urso, vespa, raposa. Até que nosso mentor sugeriu Hawks e tudo fez sentido. Tivemos mentorias de design e branding, mas a criação da logo e da identidade visual foi nossa. Eu e a Ana Júlia somos as responsáveis por essa parte. As camisetas, os moletons, tudo foi desenvolvido por nós. Contamos com ajuda externa apenas para a produção final.


Samilo Lopes: E vocês ainda cuidam das redes sociais, né?


Isabela: Sim! Desde o início, eu fiquei com o design e as redes. Se você olhar nosso Instagram, o @FRC9459, vai ver o quanto evoluímos. Os primeiros posts eram simples, mas hoje estão muito mais profissionais. Mudamos a estética, o jeito de escrever, tudo.


Ana Júlia: A escolha do nome do perfil com a sigla FRC foi estratégica, para que as pessoas que busquem pela competição nos encontrem. O número 9459 é o nosso identificador oficial. Criamos até apego a ele!


Samilo Lopes: E como é a rotina de vocês? Porque imagino que conciliar SESI, SENAI e os treinos não deve ser fácil.


Ana Elisa: É puxado, mas gratificante. A gente estuda de manhã no SESI e faz SENAI à tarde ou à noite, dependendo do dia. Os treinos são nos períodos contrários às aulas — terça, quinta e sexta. Como estamos em duas escolas diferentes, usamos muito o Teams e um quadro tipo Trello para organizar as tarefas. Produzimos as artes no contraturno e muitas vezes em casa também, porque gostamos.


Samilo Lopes: E vocês já usam inteligência artificial nos processos?


Isabela: No começo, nada. Agora usamos um pouco, principalmente para revisar textos e documentos das competições. Mas nas criações gráficas e nas legendas, preferimos o toque humano. A IA ajuda, mas não substitui. Ela é uma aliada quando usada com consciência.


Samilo Lopes: E a marca Hawks realmente pegou, né?


Ana Júlia: Totalmente. As cores vermelho, branco e preto chamam atenção, principalmente das crianças. Muita gente nos reconhece pelos uniformes — somos “os vermelhinhos”. É muito legal quando alguém nos identifica de longe.


Samilo Lopes: E o futuro da equipe? O que vem pela frente?


Ana Elisa: A gente está no último ano, mas o projeto continua. Os alunos que se formam viram alumni, ex-integrantes que ajudam a próxima geração. Nosso foco agora é transferir o que aprendemos: compartilhar erros, acertos e manter viva a história da equipe. Já tem alunos do primeiro e segundo ano sendo treinados para dar continuidade.


Samilo Lopes: Fantástico. Isso é legado, é continuidade. Parabéns por tudo que estão construindo. Obrigado, Ana Elisa, Ana Júlia, Isabela, e também à Nádia, mãe da Ana Elisa, que acompanhou aqui no estúdio. E claro, um abraço para todo o pessoal do SESI e SENAI. O programa vai estar disponível no meu blog, samilo.com.br, e no canal da CBN Grandes Lagos. Sigam a equipe Hawks no Instagram @FRC9459 para acompanhar o trabalho dessas jovens incríveis.


Ana Elisa, Ana Júlia e Isabela: Obrigada, Samilo! Foi uma honra participar.

Conclusão Editorial:
A conversa com a Equipe Hawks mostra como a robótica pode ser um instrumento de transformação social e educacional. As três estudantes uniram técnica e propósito, construindo um projeto que valoriza a inclusão e o protagonismo jovem. A marca Hawks vai além do robô: representa um modelo de aprendizado ativo, colaborativo e criativo, capaz de inspirar outras gerações.

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