Entrevista com Fernando Paiva- Ultra-X - CBN Grandes Lagos

SAMILO LOPES • 17 de junho de 2025

Neste programa, publicado em 14 de junho, recebo Fernando Paiva, CEO do Ultra-X Medicina Diagnóstica

A man in a suit and glasses is standing with his hands on his hips.

Fernando Paiva
CEO do
Ultra-X Medicina Diagnóstica


Médico Radiologista pela Universidade de São Paulo 

Pos Graduação em Radiologia Torácica e Cardíaca pela Universidade de São Paulo 

MBA em Gestão Empresarial pela FGV

Diretor do Ultra-X Medicina Diagnóstica

Entrevista transcrita

Samilo Lopes: Doutor, apresente-se para o nosso ouvinte. Quem é o Dr. Fernando Paiva?


Dr. Fernando Paiva: Antes de falar da minha atuação no mercado da saúde, gosto de me apresentar como marido da Patrícia e pai do Gabriel e da Beatriz — devem estar ouvindo agora; um beijo para eles. Sou nascido e criado em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Saí aos 17 anos para cursar Medicina e me formei radiologista pela Universidade de São Paulo, onde atuei por quase 15 anos. Também trabalhei em instituições privadas em São Paulo, especialmente no Hospital Albert Ein… [trecho ambíguo].


Samilo Lopes: E como veio a virada para a gestão?


Dr. Fernando Paiva: Como muitos médicos, sempre estive imerso na técnica, pesquisa e ensino. Comecei a tocar projetos de gestão operacional e, em 2018, fui convidado para liderar um projeto de atualização cultural da Ultra-X — empresa muito conhecida em Rio Preto. Foi um sonho voltar à cidade natal e encontrar um capital humano especial. Focamos em processos administrativos e operacionais. Hoje acompanhamos mais de 150 indicadores e toda a jornada do paciente, garantindo segurança e confiabilidade dos resultados. E, sobretudo, mudamos o foco: falar menos de doença e mais de prevenção e predição.


Samilo Lopes: Essa mudança de chave — do técnico ao gestor — não é tão comum em Medicina. Como foi para você?


Dr. Fernando Paiva: A formação médica ainda é muito técnica; só recentemente faculdades introduzem gestão. Defendo profissionais de saúde na gestão porque trazem o olhar de quem esteve na assistência: isso muda decisões de investimento e a forma de cuidar. Busquei me aprimorar em finanças, contabilidade, compliance e jurídico. Hoje me sinto mais preparado para liderar a Ultra-X.


Samilo Lopes: Vamos à história. Como a radiologia e a Ultra-X chegaram até aqui?


Dr. Fernando Paiva: Em 1895, um alemão chamado [trecho ambíguo: “Hentin”] criou o raio-X. Curioso: a primeira aplicação não foi na medicina, mas no varejo — lojas de sapatos usavam raio-X para checar o tamanho. A prática médica veio em 1917, quando [trecho ambíguo: “Maric Rier”] levou carros de raio-X aos campos da Primeira Guerra. Em Rio Preto, em 1947, na Santa Casa, o fundador da Ultra-X, Dr. Crescense, trouxe o primeiro aparelho de raio-X da cidade. Em 1955, a Ultra-X se torna empresa — e, desde então, foi pioneira: trouxe as primeiras tomografias (anos 70), ressonância e ultrassom (anos 80). O DNA é de vanguarda, na cidade e no país.


Samilo Lopes: O que a Ultra-X faz hoje — e como enxerga o futuro próximo?


Dr. Fernando Paiva: Trabalhamos em três pilares: radiologia, medicina nuclear e laboratório. Em medicina nuclear, destaco radiofármacos com afinidade por amiloide no cérebro, permitindo antecipar o risco de doença de Alzheimer. No laboratório, disponibilizamos 3.000+ exames, incluindo genéticos e marcadores tumorais, que predizem predisposições. Na radiologia, a IA cresce no pós-processamento e no apoio ao laudo. Vejo a IA como auxiliadora de um novo ciclo de progresso — na saúde, energia e além.


Samilo Lopes: A IA generativa mudou a conversa: deixou de ser só algoritmo e passou a dialogar. O que isso muda para vocês?


Dr. Fernando Paiva: O deep learning cruza o big data e traz soluções mais rápidas e assertivas. Na Ultra-X adotamos diversas tecnologias. Um marco é o telecomando: operadores na unidade Boa Vista (Rio Preto) adquirem exames e operam tomógrafos e ressonâncias à distância. Fechamos contrato para operar equipamentos em uma clínica privada no interior do Piauí — cerca de 2.500 km — sem o operador presencial. Com um “robozinho” de apoio e um bom link de internet, podemos atuar de qualquer lugar. Tecnologia gera acessibilidade e aproxima a universalização preconizada desde 1988.


Samilo Lopes: E o Watson da IBM — ainda é relevante? O que mudou com GPTs, Gemini etc.?


Dr. Fernando Paiva: Não há um único ator disruptivo: há vários. A IBM marcou uma era no Vale do Silício, com microprocessadores que mudaram tudo — hoje um celular supera a capacidade de sistemas da NASA de décadas atrás. A beleza está em como aplicamos as possibilidades. E o próximo ciclo de inovação virá também de novas fontes de energia e baterias, além de IA.


Samilo Lopes: Com wearables (relógios, anéis) e IoT, o diagnóstico deixa de ser fotografia e vira filme?


Dr. Fernando Paiva: Exatamente. Acompanhamos o paciente ao longo do dia: o que come, como dorme, efeitos metabólicos, frequência cardíaca. Com dados contínuos, atuamos de forma objetiva e assertiva. A IA não substitui o humano; ajuda a absorver a informação e indicar caminhos. Quem homologa é o ser humano. Por isso, é essencial que os jovens se capacitem para usar bem essas tecnologias.


Samilo Lopes: Para fechar: 70 anos de Ultra-X em 2025 — suas considerações finais.


Dr. Fernando Paiva: Obrigado, Samilo, equipe e CBN pelo espaço. Falamos de inovação e tecnologia, mas quero encerrar falando de pessoas. A Ultra-X existe há 70 anos graças às pessoas que trabalham e trabalharam lá — colaboradores, médicos e pacientes que confiam em nós. Sou apenas mais um nessa história. Obrigado pela oportunidade de falar um pouco da nossa empresa.


Samilo Lopes: Nós que agradecemos. Recebemos hoje o Dr. Fernando Paiva, CEO da Ultra-X (Medicina Diagnóstica). Um bom sábado e até a próxima.

Conclusão Editorial:
Em tom claro e didático, Dr. Fernando Paiva reconstrói a jornada da Ultra-X de 1955 a 2025 e reforça o foco atual em prevenção e predição. O executivo descreve três pilares (radiologia, medicina nuclear e laboratório), cita a adoção de radiofármacos ligados ao Alzheimer, exames genéticos e IA em pós-processamento. O destaque fica para o telecomando de equipamentos a 2.500 km, exemplo de acessibilidade e vanguarda. A entrevista termina valorizando pessoas e convidando o setor a usar tecnologia como meio — e não fim — no cuidado.

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