Entrevista com Fabricio Vaccari - CBN Grandes Lagos

SAMILO LOPES • 8 de dezembro de 2025

Neste programa, publicado em 6 de dezembro de 2025, conversamos com Fabricio Vaccari, fundador da Agência LED e especialista em branding e comunicação integrada, sobre a verdade das marcas, o papel da cultura organizacional na estratégia, os novos modelos de agência 100% digitais, o comportamento das novas gerações e como as empresas podem criar experiências significativas e humanizadas para seus consumidores.

Entrevista Transcrita


Samilo Lopes: Hoje eu recebo aqui Fabricio Vaccari, nosso convidado especial e fundador da Agência LED. Fabricio, seja muito bem-vindo e muito obrigado por aceitar o convite.


Fabricio Vaccari: Bom dia, Samilo. Bom dia aos ouvintes. Obrigado a você e à CBN pelo convite. Vai ser um prazer conversar com vocês hoje.


Samilo Lopes: Para você que quer acompanhar tudo também com imagens, é só entrar no YouTube e procurar por @cbngrandeslagos. Vocês vão ver rádio com imagens e conhecer o Fabricio, que está aqui com um cabelão para dar inveja em mim e uma barba também respeitável. Eu brinco que meu queixo emenda com a nuca, então eu vivo correndo atrás. Mas é nesse clima leve que a gente segue para o fim do ano. Inclusive, descobri um termo novo esta semana: “dezembrite”. É aquela inflamação que bate em dezembro quando você percebe que não fez metade do que planejou no ano. E aí chega o desespero. Mas vamos lá. Para começar, Fabricio, conta um pouco sobre você e sobre a Agência LED para os nossos ouvintes.


Fabricio Vaccari: A Agência LED nasceu oficialmente em 2008, em São José do Rio Preto, mas a história começa um pouco antes. Eu morava em São Paulo, estudava marketing no Mackenzie e trabalhava durante o dia em outra agência. Juntei quatro amigos e montamos uma agência paralela. A rotina era trabalhar de dia, estudar à noite e depois focar na nossa agência. Mas por diversos motivos decidi focar minha vida no interior e foi aí que fundei a LED em Rio Preto. Já são 17 anos de mercado.


Samilo Lopes: Então quando você decidiu vir para cá, já veio para montar a LED?


Fabricio Vaccari: Isso mesmo. Quando decidi focar no interior, montei a LED aqui.


Samilo Lopes: E hoje vocês atendem só Rio Preto ou o Brasil todo?


Fabricio Vaccari: Atendemos o Brasil todo. Temos clientes no Pará, Bahia, Mato Grosso, Goiás, Minas, além de Rio Preto, claro. 


Samilo Lopes: E sua formação? Propaganda e marketing, como era na época?


Fabricio Vaccari: Formado em propaganda e marketing, com foco em marketing. Na época era Comunicação Social com ênfase em Propaganda e Marketing. Depois você escolhia a trilha: criação ou marketing. Eu escolhi marketing.


Samilo Lopes: Queria contar para o ouvinte que eu e o Fabricio temos parceria de trabalho: atendemos juntos as Lojas Lívia. E esse é um ótimo exemplo de algo que empresários sempre perguntam: “Preciso ter uma única empresa de marketing ou posso dividir isso entre especialistas diferentes?” No caso das Lojas Lívia, cada um de nós atua com especialidades distintas e funciona muito bem. Isso é comum, Fabricio?


Fabricio Vaccari: Sim. Em grandes centros, é comum ter uma agência principal e vários parceiros conversando entre si. Mas também existem clientes que preferem uma única agência responsável por tudo, pela comodidade de tratar tudo com um só interlocutor. 


Samilo Lopes: Mas quando a empresa cresce, é quase inevitável ramificar. É muita coisa para uma agência só acompanhar com profundidade. Quando você olha as grandes marcas, 99% trabalham com múltiplos parceiros e especialidades. Eu acho saudável: visões diferentes que se unem trazem resultados melhores. Hoje a LED atua 360? 


Fabricio Vaccari: Atuamos, sim, com comunicação integrada 360. Mas nosso modelo mudou muito. Até antes da pandemia tínhamos estrutura física tradicional. Hoje somos uma agência 100% digital. Isso significa que não temos espaço físico e trabalhamos com uma rede de parceiros espalhados pelo Brasil e pelo mundo, especialistas em várias disciplinas. De acordo com a demanda do cliente, eu monto a equipe ideal. Eu não ofereço um cardápio fechado de soluções; eu pergunto: “Qual é o seu problema?” A solução a gente constrói conforme o diagnóstico.


Samilo Lopes: Quero falar de marca. Você me contou que tem um trabalho profundo nisso. Explica para o público.


Fabricio Vaccari: Eu amo falar de marca. Gosto de uma analogia: o mundo tem 8 bilhões de pessoas e cada uma é diferente. Cada uma é o centro do próprio universo. Com marcas é a mesma coisa. Você pode ter mil concorrentes, mas cada empresa é diferente porque cada uma foi criada por alguém com sua cultura, sua bagagem, seus valores. O propósito da LED é fazer as marcas falarem a sua verdade. Chega daquele discurso ultrapassado: “Meu produto tem qualidade, tem performance, tem preço bom.” Isso não sustenta mais. O que importa é: Qual é a sua verdade? Por que você faz o que faz? O que seu produto significa para o cliente? O marketing hoje é emocional. Coca-Cola não vende refrigerante; vende felicidade. O foco é criar conexões reais com pessoas.


Samilo Lopes: E como as empresas têm recebido essa ideia de colocar o consumidor e a experiência no centro? Está funcionando?


Fabricio Vaccari: Eu vejo uma mudança de percepção, mas não tão rápida quanto eu gostaria. Tenho levado esse projeto de gestão de marca para muitas empresas e, quando implementado, os resultados são ótimos. Tenho 100% de aprovação nesses projetos. Isso porque é um trabalho de dentro para fora. Muitas empresas já têm valores verdadeiros, mas eles ficam no ar, no comportamento, sem estar estruturados. Quando estruturamos, conseguimos unir marketing, RH, compras, comercial, P&D, tudo num mesmo projeto. Mas ainda vejo muito marketing sendo tratado como departamento, não como estratégia. Quando é departamento, é passivo: “faz um flyer”, “faz um folder”. Quando é estratégia, ele integra tudo: P&D, RH, compras, vendas. E precisa ser verdadeiro. Uma marca de carros que fala de tecnologia e design não pode ter um P&D que não entrega isso. Caso contrário, o marketing desmonta. É um trabalho intenso e cultural.


Samilo Lopes: Cultura é delicadíssima. Existe aquela frase famosa: “A cultura come a estratégia no café da manhã”. Se a cultura não estiver alinhada aos objetivos, ela mata qualquer iniciativa. Vamos fazer uma pausa para o intervalo e já voltamos.


Samilo Lopes: Estamos de volta com o Bora Falar de Marketing. Lembrando que o programa fica gravado no YouTube, no site da CBN e no meu blog samilo.com.br, e agora também tem newsletter no meu LinkedIn, onde você pode ler a entrevista completa. Fabricio, quero retomar agora falando de novas gerações. Como tem sido isso dentro da LED?


Fabricio Vaccari: Eu resumo assim: enquanto o mundo muda, as pessoas mudam, os comportamentos mudam, e o marketing precisa se reinventar. A geração Alfa, nascida a partir de 2010, é altamente conectada, visual e deseja personalização. E a próxima geração será ainda mais conectada. Eu até brinco que será mais preguiçosa, porque na minha época eu precisava ir à biblioteca, copiar trechos, entregar trabalhos. Hoje, a pessoa manda um áudio para uma IA e recebe tudo pronto em segundos. É como se o cérebro estivesse num computador.


Samilo Lopes: E em alguns anos eles já entram no mercado de trabalho. Podemos ter quatro gerações convivendo numa mesma empresa.


Fabricio Vaccari: Exato. E quem não estudar, não tiver instrução mínima, terá dificuldade. Mais até do que a geração Z sente. Eu estudo mais hoje do que na faculdade para acompanhar essa dinâmica. O que funcionou ontem não funciona hoje.


Samilo Lopes: E na contratação?


Fabricio Vaccari: Hoje precisamos analisar perfis com profundidade. Não contratamos só pela técnica. Olhamos comportamento, visão de futuro, alinhamento de cultura. Buscamos muito mais personalidade e compatibilidade do que apenas habilidade técnica. Se a pessoa estiver alinhada à cultura e ao perfil de público, o trabalho flui. Técnica se treina; cultura, não.


Samilo Lopes: E se cultura não encaixar, vira conflito. Já vi isso várias vezes. E do ponto de vista de consumo, como essas gerações se comportam?


Fabricio Vaccari: Hoje tendências duram pouco. As pessoas estão saturadas de tanta informação. Elas querem retorno das marcas, querem significado. Por isso experiência virou palavra-chave. As empresas precisam oferecer experiência, não só produto. As pessoas querem ser tratadas como pessoas. Quando você pensa assim, você sai do “vendo produto” e entra no “resolvo problemas”.


Samilo Lopes: E isso se conecta ao exemplo de Apple vs Samsung. Muitas pessoas usam igual, mas Apple comunica significado.


Fabricio Vaccari: Exato. Eu digo que as marcas vestem as pessoas. Um celular, uma camisa, um óculos — tudo isso comunica algo sobre você.


Samilo Lopes: E isso muda conforme a cultura: aqui valorizamos bens; na Europa, valorizam tempo, arte, intelectualidade. Nosso tempo está acabando. Fabricio, deixe seus contatos.


Fabricio Vaccari: O site é agencialed.com.br. Meu e-mail pessoal é fabricio@agencialed.com.br. Quem quiser conhecer mais sobre marca e posicionamento, estou à disposição.


Samilo Lopes: O programa fica gravado no YouTube @cbngrandeslagos e no meu blog samilo.com.br. Esse foi o Bora Falar de Marketing deste sábado. Um grande abraço e até semana que vem.


Fabricio Vaccari: Obrigado, Samilo. Obrigado aos ouvintes.


Conclusão editorial


A conversa entre Samilo Lopes e Fabricio Vaccari mostra como marketing, cultura, experiência e comportamento de consumo caminham juntos. Fabricio defende um marketing estratégico, integrado à cultura e à estrutura organizacional, e conduzido por marcas que expressam sua verdade e constroem significado. As novas gerações aceleram mudanças no consumo, no trabalho e na forma de se comunicar, exigindo das empresas velocidade, profundidade e humanidade. Em um programa leve e informativo, o bate-papo reforça o papel do marketing como ponte entre emoção, estratégia e verdade empresarial.


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