Entrevista com Danilo Nunes - CBN Grandes Lagos

SAMILO LOPES • 5 de janeiro de 2026

Neste programa, publicado em 3 de janeiro de 2026, conversamos com Danilo Nunes, fundador e CEO da Nudgy e professor dos MBAs da ESPM, sobre o surgimento da cadeira de Creative Strategy para conectar times de criação e growth, o impacto da evolução dos algoritmos na distribuição e na fadiga dos criativos, a necessidade de transformar criatividade em sistema com previsibilidade e escala, o amadurecimento do marketing digital com marca, jornada e atribuição, e como a creator economy, a mídia paga e a visão tridimensional (do digital ao físico) ajudam marcas a crescer com consistência e sustentabilidade.

Entrevista Transcrita


Samilo Lopes: Danilo, eu evitei te apresentar logo de cara porque o teu LinkedIn é extenso. Prefiro te pedir: se apresente para o nosso ouvinte e telespectador.


Danilo Nunes: Prazer estar aqui. As carreiras hoje são cada vez menos lineares e mais parecidas com um portfólio. Eu transito entre a academia, o mercado — com muito skin in the game — e a pesquisa. Venho de uma gestão de marketing 360, liderando times internos, contratando agências de mídia, criação, growth e conteúdo.


Há cerca de quatro ou cinco anos, comecei a atuar de forma totalmente internacional e descobri uma cadeira nova dentro do marketing, que é a de Creative Strategist. Mergulhei obsessivamente nisso por alguns anos, trabalhando com mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia. Há cerca de 12 meses, trouxe essa expertise para o Brasil, criando uma vertical de Creative Strategy dentro da Frester, nossa agência 360.


Esse movimento cresceu tão rápido que virou um spin-off, dando origem à Nudgy. Hoje, assumo o papel de fundador e CEO da Nudgy, além de atuar como professor e pesquisador nos MBAs da ESPM, tanto em São Paulo quanto no Rio, com foco em criação, estratégia, creator economy e gestão de projetos criativos.


Samilo Lopes: Do ponto de vista prático, qual é a dor das empresas e onde o serviço de vocês se encaixa?


Danilo Nunes: Antes de falar do serviço, é importante explicar a cadeira. Creative Strategy é o profissional que entende cultura, criação e estrutura, mas traduz tudo isso para uma necessidade de performance. Performance aqui é resultado, número e estrutura.


Com mídia online paga, você testa, aprende, escala e valida hipóteses muito mais rápido do que em modelos tradicionais. O problema é que, hoje, os times de criação não conversam com os times de growth. Esse gap é enorme, especialmente em empresas nativas digitais que precisam crescer de forma acelerada.


A criação, para muitos negócios digitais, virou sistema: precisa entregar previsibilidade, volume e qualidade. Nosso papel é conectar criação e performance. Fazemos isso de três formas: consultoria estratégica, concepção de roteiros para times internos e produção completa de assets — vídeos, estáticos, landing pages — organizados em ciclos e sprints.


Samilo Lopes: Muitas vezes existe um ruído entre o ideal criativo e o que realmente performa. Como você enxerga isso?


Danilo Nunes: Esse é um fenômeno de mercado, cultural e tecnológico. O termo Creative Strategy, traduzido ao pé da letra, pode confundir com o estrategista criativo tradicional das grandes agências, muito focado em campanhas macro de marca.


Essa nova cadeira nasce das Digital Native Vertical Brands (DNVBs), marcas que começam no digital, falam direto com o consumidor e crescem com velocidade, social listening e proximidade com a audiência. Elas usam criadores, influenciadores e mídia paga como alavancas centrais.


No início, muita gente ocupou essa cadeira sem maturidade. À medida que as empresas escalaram, perceberam que não dá para crescer indefinidamente só falando com quem já está pronto para comprar. Foi aí que entrou a necessidade de marca, jornada, atribuição e uma visão mais sofisticada de marketing.


Samilo Lopes: E como a evolução dos algoritmos impacta esse cenário?


Danilo Nunes: Impacta totalmente. As plataformas evoluíram muito. Hoje, o algoritmo entende relevância, diversidade e sequência de criativos. Ele decide melhor do que a gente quem está mais próximo de converter.


Isso muda tudo: segmentação rígida perde força e entra a necessidade de volume e diversidade criativa. O tempo de fadiga dos criativos é cada vez menor, o que exige velocidade e reposição constante. Os times de growth enlouquecem com essa demanda, e é justamente aí que o Creative Strategist se torna essencial.


Samilo Lopes: Existe uma percepção de que marketing digital resolve tudo sozinho.


Danilo Nunes: Marketing digital é marketing. Ele é uma ferramenta dentro do mix. As empresas usam mídia paga porque ela traz retorno rápido de aprendizado, mas esquecem da tridimensionalidade. Quando você está no digital, na TV, no rádio, em eventos, você vira 3D, você existe no mundo.


Sou contra a ideia de nascer e morrer no digital. Marcas e profissionais precisam pensar de forma 360. Muitas empresas começam no digital e evoluem para o físico, para o varejo, para experiências presenciais. Esse é o caminho de construção de marca sustentável.


Samilo Lopes: Você pode compartilhar alguns exemplos práticos?


Danilo Nunes: Atendemos marcas como Guday, Sallve e Vitha. A Guday, por exemplo, escalou no digital e hoje está na prateleira da farmácia. A Sallve cresceu com influenciadores e hoje tem uma equipe interna criativa estruturada.


No caso da Vitha, conseguimos um crescimento de cerca de 800% no investimento em mídia paga, identificando ângulos de comunicação eficazes e criadores específicos que funcionavam tanto para influência quanto para performance. O criativo passou a servir diretamente a estratégia de growth, sem perder o direcionamento de marca.


Samilo Lopes: Para quem quer acompanhar mais de perto o seu trabalho, onde te encontra?


Danilo Nunes: O principal canal é o LinkedIn, buscando por Danilo Nunes e Creative Strategy. No Instagram, estou como Danilo Nunes DP. O site da Nudgy é o nudgycreative.com, que está entrando no ar agora. Nudgy vem do verbo nudge, pequenos incentivos que ajudam pessoas e marcas a tomarem melhores decisões — exatamente o que buscamos fazer conectando criação e performance.


Samilo Lopes: Danilo, muito obrigado pelo tempo e por essa verdadeira aula. Foi um prazer te receber.


Danilo Nunes: Obrigado. Foi um prazer estar aqui.


Conclusão editorial


A conversa com Danilo Nunes reforça que o marketing vive um momento de amadurecimento. Em um cenário dominado por dados, algoritmos e velocidade, criatividade sem performance não se sustenta — e performance sem marca perde fôlego. O surgimento da Creative Strategy aponta para um futuro em que criação, crescimento e visão estratégica precisam operar de forma integrada para construir negócios realmente escaláveis.


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