Entrevista com Marco Túlio Oliveira - CBN Grandes Lagos

SAMILO LOPES • 5 de janeiro de 2026

Neste programa, publicado em 27 de dezembro de 2025, conversamos com Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Game, sobre o funcionamento do mercado de games e apostas no Brasil, o papel dos operadores dentro do ambiente regulado, os impactos da regulamentação recente, a diferença entre plataformas legais e ilegais, a responsabilidade social ligada à saúde financeira e mental dos jogadores, e como parcerias no esporte ajudam a fortalecer marcas, gerar desenvolvimento regional e construir um setor mais seguro e sustentável.

Entrevista Transcrita


Samilo Lopes: Marco, para começar, queria que você se apresentasse e explicasse para o nosso ouvinte o que é a Ana Game e que tipo de game estamos falando.


Marco Tulio Oliveira: A Ana Game é o que chamamos de operadora no mercado de bets e de games no Brasil. Esse é um segmento que ganhou autorização a partir de 2018, mas que passou por um longo período aguardando regulamentação. Esse processo se intensificou em 2023 e 2024 e, a partir de 1º de janeiro de 2025, cerca de 80 operadores passaram a estar oficialmente autorizados a atuar no país.


A Ana Game é um desses operadores. Cada licença permite operar até três marcas. No nosso caso, a Ana Game é a empresa operadora, a marca corporativa, e hoje temos três marcas ativas no mercado: a 7K, que é a mais conhecida e patrocinou clubes como Santos, Vitória e Mirassol em 2024; a Cassino Bet, que patrocinou o Fortaleza; e a Vera Bet, nossa terceira marca.


Desde janeiro de 2025, estamos trabalhando junto aos stakeholders para desenvolver e fortalecer esse segmento em um ambiente agora regulado, o que contribui para um mercado mais robusto e para o desenvolvimento do Brasil.


Samilo Lopes: Você citou o termo “operador”. Pode explicar melhor essa estrutura? Quem é o desenvolvedor, quem é o operador e qual o papel de cada um?


Marco Tulio Oliveira: Hoje o mercado é regulado pelo governo federal, por meio de uma secretaria do Ministério da Fazenda chamada Secretaria de Prêmios e Apostas. É ela quem concede as outorgas para os operadores.


O operador é uma empresa constituída no Brasil que solicita autorização ao governo. Para isso, precisa comprovar capacidade financeira, idoneidade dos sócios e administradores e conhecimento técnico do setor. Uma vez aprovada, a empresa recebe o direito de operar por cinco anos, mediante o pagamento de uma outorga, que hoje gira em torno de R$ 30 milhões.


Com a licença, o operador pode desenvolver sua própria tecnologia ou contratar plataformas para oferecer apostas esportivas e cassino online. O ponto central é que toda a responsabilidade recai sobre o operador: cumprimento da regulamentação, segurança da operação e proteção do cliente.


Além da plataforma, há diversos outros elementos envolvidos, como meios de pagamento, instituições financeiras e ferramentas de verificação de identidade, como processos de “conheça seu cliente”, com biometria facial e validações cadastrais. Cada tecnologia ou serviço precisa ser certificado por empresas de auditoria e certificação aprovadas pelo governo federal, garantindo um ambiente seguro e confiável.


Samilo Lopes: Então, quando alguém acessa, por exemplo, a 7K, está entrando em um sistema operado pela Ana Game?


Marco Tulio Oliveira: Exatamente. Um operador pode ter uma, duas ou três marcas. No nosso caso, se você acessar os sites da 7K, da Cassino Bet ou da Vera Bet, encontrará no rodapé a informação de que são operados pela Ana Game S.A.


Um ponto importante é o domínio “.bet.br”. Ele indica que o site foi autorizado pelo governo federal. Além disso, apesar de a marca ser o nome mais visível, o CNPJ e a responsabilidade legal estão sempre vinculados à empresa operadora. Ou seja, você não aposta “em outra 7K”: aquela marca está sempre associada a um único operador autorizado.


Samilo Lopes: Queria entrar agora em um tema sensível: saúde mental, saúde financeira e responsabilidade social. Como vocês lidam com isso?


Marco Tulio Oliveira: Esse é um tema central, especialmente neste primeiro ano de mercado regulado no Brasil. O jogo precisa ser tratado como entretenimento. Qualquer consumo em excesso faz mal, e no nosso setor isso pode levar à ludopatia, que é o vício em jogos.


A regulamentação existe justamente para criar segurança e robustez. O operador legal tem a obrigação de cuidar das pessoas. Diferente do mercado ilegal, que não passa por autorização, não tem fiscalização e não assume nenhuma responsabilidade social.


Na Ana Game, trabalhamos em duas frentes. A primeira é dar clareza ao público e separar o mercado legal do ilegal. A segunda é oferecer ferramentas para que o próprio jogador estabeleça limites. O cliente pode definir, por exemplo, quanto tempo por dia quer usar a plataforma ou quanto está disposto a gastar por mês como forma de entretenimento.


Além disso, usamos modelos e análises para identificar comportamentos de risco, como tempo excessivo de uso ou gastos incompatíveis com a capacidade econômica do jogador. O objetivo é criar um ambiente sustentável, longevo e responsável.


Samilo Lopes: Esse problema da ilegalidade não é exclusivo do setor de vocês, né?


Marco Tulio Oliveira: Exatamente. A gente vê isso em vários segmentos: bebidas adulteradas, suplementos falsificados, entre outros. Em todos os casos, quem atua fora da lei deixa de ser um agente econômico responsável e passa a ser um predador da sociedade.


No nosso setor, a parcela ilegal ainda é significativa, mas a regulamentação é um primeiro passo importante. Agora, o desafio é reduzir esse mercado aos poucos, com fiscalização, informação e conscientização da população para não consumir produtos ilegais.


Samilo Lopes: Aqui na nossa região vocês tiveram uma parceria importante com o Mirassol.


Marco Tulio Oliveira: Sim, pela marca 7K. Temos muito orgulho dessa parceria. Já estamos com o Mirassol há alguns anos e acompanhamos de perto o trabalho de gestão e profissionalismo do clube. Os resultados falam por si: uma campanha histórica, Série A e classificação para a Libertadores.


Quando investimos no esporte, não é só para estampar a marca, mas para construir parcerias sólidas e contribuir para o desenvolvimento. Isso tem sido feito não só na região, mas no esporte brasileiro como um todo.


Samilo Lopes: Para encerrar, como o consumidor pode verificar se um operador é legalizado? E quais são os sites das marcas da Ana Game?


Marco Tulio Oliveira: A forma mais simples é olhar o domínio do site. Plataformas legais terminam em “.bet.br”. No nosso caso: 7k.bet.br, cassino.bet.br e vera.bet.br.


É fundamental não entrar em plataformas ilegais. Elas não se preocupam com impostos, com o cuidado ao jogador, com geração de empregos e, muitas vezes, nem sequer operam a partir do Brasil.


Samilo Lopes: Marco Túlio Oliveira, CEO da Ana Game, muito obrigado pela participação. Fica o convite para voltar em próximos programas.


Marco Tulio Oliveira: Obrigado, Samilo. Foi um prazer.


Conclusão editorial


A entrevista com Marco Túlio Oliveira mostrou que o mercado de games e apostas no Brasil vive um momento de transição importante. A regulamentação trouxe mais segurança, transparência e responsabilidade, mas também evidenciou o desafio de combater a ilegalidade e promover o jogo como entretenimento consciente. O papel do operador legal vai muito além da tecnologia: envolve cuidado com as pessoas, compromisso social e construção de um setor sustentável.


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