Entrevista com Fabiano Horn - CBN Grandes Lagos
Neste programa, publicado em 13 de dezembro de 2025, conversamos com Fabiano Horn, diretor de tecnologia da Imply Group, sobre o uso da tecnologia para transformar a experiência em grandes eventos, a integração entre marketing, dados e operação, os desafios do controle de acesso em estádios e festivais, a evolução dos sistemas de tickets e autoatendimento, e como a inovação pode reduzir fricções, gerar confiança e fortalecer marcas em ambientes de alta complexidade.
Entrevista Transcrita
Samilo Lopes: Fabiano, seja muito bem-vindo. Para começar, conta para a gente quem é a Imply e como a empresa está estruturada hoje.
Fabiano Horn: Obrigado pela oportunidade. A Imply é uma empresa 100% brasileira, com sede em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, e filial em São Paulo. No ano que vem completamos 23 anos de atuação. Trabalhamos hoje com quatro unidades de negócios bem distintas entre si.
A primeira é a unidade de entretenimento, focada em equipamentos de boliche. Exportamos pistas de boliche para mais de 125 países e temos instalações em locais bastante icônicos ao redor do mundo — desde residências de atletas até castelos e grandes centros de entretenimento.
A segunda unidade é a de painéis de LED. Atuamos desde grandes estádios de futebol até o chamado mobiliário urbano, aqueles painéis que mostram hora, temperatura, mensagens de utilidade pública e publicidade. Dentro dessa linha também desenvolvemos sistemas de transporte inteligente, usados em rodovias para orientar motoristas sobre desvios, segurança e condições de tráfego.
A terceira unidade é a de autoatendimento, com terminais que vão desde equipamentos bancários de alta segurança até quiosques usados por governos, concessionárias de água e energia para atendimento ao cidadão.
Por fim, temos a unidade de tickets e acesso, que é bastante conhecida no futebol, mas também atua em eventos culturais, parques e outras experiências. É uma solução 360, que vai do controle de acesso à venda de ingressos, gestão de sócios, aplicativos móveis e sistemas cashless.
Samilo Lopes: Quando você fala de painéis em estádios, estamos falando apenas de telões ou também de placas de publicidade ao redor do campo?
Fabiano Horn: Fazemos ambos. Atuamos tanto com telões de arquibancada quanto com os painéis de publicidade ao redor do campo. Também temos projetos no basquete. Em Santa Cruz do Sul, por exemplo, instalamos painéis ao redor da quadra, e o mesmo acontece com equipes como o Mogi Basquete.
Samilo Lopes: E como a Imply entrou nesse universo de tickets e controle de acesso no futebol?
Fabiano Horn: Em 2007, entramos nessa área a partir de uma licitação no antigo Estádio Olímpico do Grêmio, em Porto Alegre. Na época, sabíamos muito pouco sobre venda de ingressos e controle de acesso, mas encaramos o desafio. Com a Copa do Mundo, estabelecemos uma meta ousada: estar presentes em seis dos doze estádios. Acabamos participando de sete.
Depois disso, entendemos que o controle de acesso tinha um limite e passamos a evoluir para tickets, assinaturas e sócio-torcedor. A partir daí, o marketing e a ciência de dados passaram a ter um papel central, especialmente para entender o comportamento do torcedor e reduzir fricções na experiência.
Samilo Lopes: A experiência dentro do estádio é algo muito sensível, especialmente para quem não frequenta jogos com regularidade.
Fabiano Horn: Exatamente. Existe o torcedor habitual, que já conhece todo o processo, e aquele que vai uma ou duas vezes por ano. Esse segundo perfil tende a enfrentar mais dificuldades: vai ao portão errado, não viu a notificação no celular, se confunde com o acesso. Nosso trabalho é entender esse comportamento por meio de dados e agir para reduzir o estresse.
Fila sempre vai existir, mas ela não pode ser infinita nem comprometer a experiência. Quando conseguimos resolver um problema rapidamente, isso gera confiança. Hoje usamos inteligência artificial para responder mais de 70% dos chamados, mas os atendimentos humanos ainda são fundamentais. O retorno que recebemos dos torcedores é extremamente positivo e fortalece a marca dos clubes e dos eventos
Samilo Lopes: Hoje, em quais estádios a tecnologia da Imply está presente?
Fabiano Horn: Temos presença em praticamente todo o Brasil: Beira-Rio, Arena do Grêmio, Juventude em Caxias do Sul, Arena do Athletico Paranaense, São Januário, Arena Fonte Nova, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, Castelão em Fortaleza, Arena da Amazônia, entre outros. Na América Latina, estamos no Uruguai, Paraguai, Colômbia e Chile, onde estamos modernizando o estádio do Colo-Colo com soluções baseadas em contêineres e reconhecimento facial. Também temos projetos no Marrocos, em parceria com a federação local.
Samilo Lopes: Em todos esses casos, a venda de ingressos acontece necessariamente pela Eleven Tickets?
Fabiano Horn: Não necessariamente. Trabalhamos de forma modular. O cliente pode contratar apenas controle de acesso, apenas tickets, apenas gestão de assinaturas ou uma combinação dessas soluções. Essa flexibilidade é fundamental para atender realidades diferentes.
Samilo Lopes: Saindo um pouco do futebol, vocês também atuam fortemente em eventos culturais, como a Oktoberfest.
Fabiano Horn: Sim, e até brincamos que viramos especialistas em Oktoberfest. Atuamos em eventos como São Paulo, Gramado, Blumenau, Santa Cruz do Sul e Igrejinha. Nesses eventos usamos praticamente todas as unidades de negócio, exceto gestão de assinaturas — embora isso possa mudar no futuro.
Um ponto interessante é que nem todo público está habituado à compra online. Por isso, levamos terminais de autoatendimento para a cidade, permitindo que as pessoas comprem ingressos presencialmente. Esses terminais também funcionam como ativação de marca, pois são envelopados com a identidade do evento e da Imply.
Samilo Lopes: Esses terminais também podem ser usados como ferramenta de ativação?
Fabiano Horn: Sem dúvida. Já usamos em aeroportos e eventos pontuais. O terminal é muito flexível: com poucos ajustes, ele pode vender ingressos, reservar pistas de boliche ou executar outras aplicações. Isso amplia muito o potencial de uso em ações de marketing e experiência.
Samilo Lopes: Além das Oktoberfests, que outros eventos você destacaria?
Fabiano Horn: Atuamos há anos no Natal Luz de Gramado e, recentemente, estivemos na final da Libertadores em Lima, com uma operação para quase 80 mil pessoas. Também trabalhamos com museus, teatros, como o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e eventos gastronômicos no Sul do país. É uma diversidade muito grande de operações.
Samilo Lopes: Para quem quer conhecer mais sobre a Imply e suas soluções, onde encontrar vocês?
Fabiano Horn: Temos um vídeo corporativo no YouTube da Imply Group e presença ativa nas redes sociais. Lá mostramos muito do nosso dia a dia, dos eventos e da experiência das pessoas, usando bastante storytelling para contar essas histórias.
Samilo Lopes: Fabiano, muito obrigado pela conversa e pela participação no programa. Fica o convite para voltarmos a falar em breve.
Fabiano Horn: Eu que agradeço. Sempre que quiserem conversar, é só chamar.
Conclusão editorial
A conversa com Fabiano Horn revela como tecnologia, dados e marketing caminham juntos na construção de experiências memoráveis. Seja em estádios, festivais ou eventos culturais, a Imply Group demonstra que inovação vai além do hardware: está na compreensão do comportamento humano, na redução de fricções e na construção de confiança entre marcas e público.
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